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terça-feira, 24 de maio de 2011

Cisne Negro







Angustiante e confuso, Cisne Negro tem sido considerado um dos filmes mais intensos da história. A personagem Nina que transita entre o frágil e o feroz, chega a tocar o espectador, trazendo á tona aquilo que de mais indomável nos habita, a força da sexualidade e da agressividade.
No enredo, Nina (Natalie Portman) é uma dançarina dedicada, tecnicamente perfeita, subestimada pelo dono da companhia de balé (Vincent Cassel) e controlada de perto pela mãe solitária (Barbara Hershey). Quando Beth (Winona Ryder) se aposenta, surge a oportunidade dela interpretar a Rainha Cisne em Lago dos Cisnes, um papel com o qual toda bailarina sonha. O problema está no Cisne Negro, ato da peça que é o mais difícil.
Segundo a Revista Psique (2011) Nina é dominada pelo controle da perfeição, tanto no seu interior quanto no exterior. Sua rigidez encontra-se desde a disposição de seus objetos, passando pelos cabelos até os movimentos impecáveis treinados até a exaustão. Do ponto de vista psicológico há muitas tentativas de compor um diagnóstico para a personagem principal do filme, embora talvez, seja um exercício quase impossível. “Muitos teóricos apontam para o Borderline como o diagnóstico que fala da clínica contemporânea, porém, uma investigação mais detalhada nos apontaria a comorbidade como um transtorno alimentar, além dos sintomas psicóticos e de auto-mutilação apresentados na trama”.
“A única pessoa em seu caminho é você mesma” diz Thomas Leroy que quer ver na doce Nina o aparecimento do Cisne Negro. Ela, então, tomada pela ideia de perfeição, travará uma dura batalha contra si mesma, encontrando no caminho a complicada e ambivalente mãe que projeta na filha seu sonho de bailarina não realizado, se envolvendo em uma trama de dominação e inconsciente disputa com Nina, despejando sua expectativa com relação a filha e os seus anseios de realização, e que ao mesmo tempo, pela veia da inveja, tenta impedir o crescimento e a transformação dessa menina em mulher. É preciso o Cisne Negro da agressividade e da sexualidade para construir o caminho da libertação para Nina, que aprende o gozo, toma posse do seu próprio corpo, em uma clara representação de sua ambivalência: cuidado e ataque.
Nina passeia em risco entre a visão da realidade interna e externa, e acaba perdendo-se em seus emaranhados. Para dar vazão ao Cisne Negro, Nina ataca seu Cisne Branco, projetando-o em Lilly, mas ao final, totalmente em identificação projetiva, é o seu corpo o que sangra e o que salta para a morte. Sorri atingindo a ansiada perfeição.
Quantas vezes durante o filme nos identificamos com a personagem Nina e nos vimos reprimidos pelos nossos próprios desejos encarnados no papel do Cisne Branco? Porém, o Cisne Negro existe em cada um nós, esperando um momento oportuno para eclodir com intensidade e nos trazer a libertação.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Síndrome de Burnout


A Síndrome de Burnout é o esgotamento mental e físico intenso causado por pressões no ambiente profissional, que leva ao esgotamento total do paciente.


Segundo a revista Psique, um levantamento realizado pela Associação Internacional do Controle do Estresse, ISMA (International Stress Management Association), revelou que o Brasil é o segundo país do mundo com níveis de estresse altíssimos. Pelo menos três em cada sete trabalhadores sofrem a síndrome de burnout e não sabem.


O portador dessa doença muitas vezes não sabe que a possui e passa a medir sua autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional. Ou seja, transforma o seu desejo de realização profissional em obstinação e compulsão. Este fenômeno pode estar ligado à idéia de que ser um workaholic (pessoas que vivem para o trabalho) se tornou status para a maioria das pessoas que vivem nas grandes cidades, onde o número de estresse é maior, e consequentemente, a probabilidade do surgimento da doença.


Embora a doença esteja diretamente ligada ao campo profissional, o seu desenvolvimento não se restringe apenas à profissão. Uma pessoa pode trabalhar muito e ter uma relação saudável com o trabalho. O mercado de trabalho competitivo das grandes cidades contribui para o surgimento da síndrome e os profissionais de alta responsabilidade, estão mais propensos a desenvolver a doença.


O principal sintoma da síndrome de Burnout é a sensação de ter sido consumido pelo estresse, de estar esgotado e sem energia. Outros sintomas também são comuns, como sono ruim, cansaço dores no corpo; lapsos de memória; dificuldade de concentração; irritabilidade; desesperança, tristeza e transtorno de humor; depressão, etc. Cinismo e agressão também são bastante freqüentes.


Essa doença quando não cuidada pode até levar a morte, pequenas mudanças no dia a dia podem ser fortes aliadas, tais como: alimentação balanceada, atividades físicas, ter um hobby e manter relações sociais e familiares. Apesar da simplicidade dessas ações, poucas são as pessoas que podem segui-las.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

TIMIDEZ

Temos uma grande preocupação com a imagem pública, isto é, com a forma como gostaríamos que os outros nos enxergassem, queremos nos sentir atraentes, amadas e desejadas pelos outros e por isso sentimos vergonha quando somos incapazes de cumprir alguma regra ou comportamento considerado atrativo pelos outros. Por isso, ser o centro das atenções pode tão facilmente despertar a timidez, pois é nessa situação que a pessoa está particularmente vulnerável ao julgamento alheio, e teme não corresponder às expectativas do grupo ou às próprias.

Essa é uma emoção considerada autoconsciente ou social, porque ela nasce como conseqüência das relações sociais em que as pessoas não apenas interagem como também avaliam e julgam a si mesmas e aos outros. Ela é autoconsciente justamente porque desperta o indivíduo à consciência de si mesmo, e assim permite que regule seu comportamento.


Essa situação gera sensação de ameaça, de perigo, chamada ansiedade, que se exterioriza de diversas maneiras, dependendo de particularidades dessas forças - uma das expressões é a timidez.

Pelo senso comum, a timidez é um padrão de comportamento caracterizado pela inibição em certas situações, podendo ser acompanhado de algumas alterações fisiológicas, como aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos. Em outras palavras, é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) os pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente.

A timidez leva a um empobrecimento na qualidade de vida, pois dificulta a interação das pessoas em situações sociais diversas como dificuldades em participar de atividades em grupo, de praticar esportes coletivos, para falar em público, para fazer uma pergunta em sala de aula, ao abordar alguém para namoro ou relação íntima, em escrever o que pensa, ao falar com alguém em posição de autoridade, para divertir-se em público, e assim por diante.

Também pode ser agravada por experiências que estabeleceram medo do fracasso na relação com o outro, causando comportamentos de fuga que é reforçado pela sensação da paralisação corporal diante da eliminação do risco, porém esse isolamento dificulta o progresso pessoal e acarreta sofrimento psíquico.

Muitas vezes as pessoas aprendem a conviver com a timidez e não procuram tratá-la, porém se não cuidada de forma devida ela pode se tornar crônica e evoluir para uma patologia, principalmente quando o adolescente não consegue superá-la ao entrar na vida adulta.

Tem-se aí a fobia social, quando a pessoa passa a evitar todas as situações sociais que não lhe são impostas pela mais absoluta necessidade. Assim, compelida a garantir sua sobrevivência, a pessoa pode, com algum sacrifício, trabalhar, mas evita outras situações que exijam exposição social, como comer em restaurantes, falar em público ou usar banheiros públicos. Quando submetida a essas situações, suas reações físicas são mais visíveis e intensas. Além das sudoreses e tremores comuns nos tímidos, o fóbico sofre de taquicardia, náuseas e desconforto abdominal.

Mais grave que a fobia social é o transtorno ou síndrome do pânico que não depende de nenhuma interação social ou mesmo da presença de outra pessoa para que se desencadeie o processo patológico em que a pessoa apresenta sensação de desmaio ou de morte iminentes.

Ter muita timidez pode nos dificultar a vida, impedir-nos de fazer muitas coisas e não deve ser tratada como coisa qualquer, requer atenção. Contudo há um lado positivo, pois algum grau dela é necessário. Se não nos preocupássemos nem um pouco com o que os outros pensam, não mediríamos nossas ações e não repararíamos nossas faltas. A vida social ficaria bem mais difícil, o que é uma ironia para os tímidos, para quem a vergonha parece impedir os contatos sociais.

Parece que a timidez é como vários outros traços humanos: é necessária em pequena dose, mas sua falta ou excesso pode nos colocar em apuros.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

VERDADES SOBRE A MENTIRA

E esse tal “dia da mentira”?


Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia das mentiras ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França.

Tudo começou em 1564, quando Carlos IX, rei de França, por uma ordonnance de Roussillon, Dauphine, determinou que o ano começasse no dia primeiro de janeiro, no que foi seguido por outros países da Europa. É claro que, no início, a confusão foi geral, uma vez que os meios de comunicação ainda eram inexistentes. Não havia rádio, televisão, nem mesmo o jornal, pois a invenção da imprensa, por Gutenberg, só aconteceu muitos anos depois.

Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril. Depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

A brincadeira ainda perdura nos dias atuais e o primeiro de abril é sempre comemorado com muitas mentirinhas!!! Rsrsrrs

E nessa brincadeira cabe uma reflexão, pois a mentira sempre foi uma prática entre os homens durante toda a sua história. Infelizmente, vemos que esse comportamento ainda existe em nossos dias. Eles estudaram, cresceram, amadureceram, mas continuam mentindo para camuflar seus erros e levar vantagem em algumas situações.

Muitas vezes levadas pela insegurança de ser aceitas tal com o são, as pessoas podem cair na tentação de enriquecer suas histórias e enaltecer suas habilidades de forma a causar uma impressão mais favorável em outras pessoas.

Aprendemos desde cedo as vantagens da mentira. Ainda crianças aprendemos a dizer que a mãe não está em casa, quando ela quer evitar atender ao telefone, aprendemos os benefícios de uma mentirinha para não ganhar um castigo, e assim por diante. Ah! Não esquecendo das mentiras a que se obrigam os netos, quando os avós perguntam de quais avós gostam mais...

Mas o mentiroso também passa por dificuldades, e quanto mais cai na tentação de mentir, tanto mais difícil vai ficado controlar a abundante base de dados das versões de suas mentiras, mais difícil vai ficando garantir a coerência de suas estórias, mais necessidade de novas mentiras para encobrir as antigas...a farsa cresce em progressão geométrica.

Diante dessa frequência fisiologicamente humana há, naturalmente, uma tendência em banalizar a mentira, ou inocentemente classificar nossa mentirazinha cotidiana como sendo do tipo positiva, aquela que além de não prejudicar pode até ajudar pessoas (...o senhor me parece mais saudável hoje do que ontem... conheci seu filho, um jovem magnífico...), ou mentira negativa, aquela que prejudica. Enfim, a mentira fisiológica pode até facilitar a integração social, e de tal forma que as pessoas com inata dificuldade para essas mentirinhas corriqueiras são tidas como ingênuas, socialmente pouco habilidosas, falta-lhes jeito ou, como se diz, não têm “jogo de cintura”. Uma das razões interiores mais comuns para mentir é a insegurança ou baixa auto-estima. Como dissemos, a mentira passa ao outro uma imagem de nós próprios muito melhor do que de fato acreditamos ser. Mente-se também por razões externas, de acordo com as pressões para sucesso na vida em sociedade.


Há também mentiras por razões patológicas, desde aquelas determinadas por uma personalidade problemática, até as outras, produzidas por neuroses francamente histriônicas, como é a Síndrome de Münchhausen e de Ganser.

A Síndrome de Münchhausen é relativamente rara, de difícil diagnóstico, e caracterizada pela fabricação intencional ou simulação de sintomas e sinais físicos ou psicológicos sempre de natureza fantástica em um filho ou em si próprio.

Mentirosos compulsivos, de dinâmica psíquica rica em conflitos e complexos, que representam personagens tal como fazem os atores, e refletem aquilo que gostariam de ser. Ao perderem o controle sobre o impulso de mentir o personagem criado suplanta o ego e a personalidade toda é tomada por um falso e inaltêntico ego.

Nesta síndrome a pessoa não suporta a ideia dela ser comum, normal, trivial. Ela tem que ser super especial, tem que ter peculiaridades completamente excepcionais e fantásticas. Essa inclinação impulsiva para a mentira reflete uma grande vontade em ser admirado, de ser digno de amor e consideração pelos demais, consequentemente reflete uma grande insatisfação com a realidade em que vive.

É preciso ficarmos alertas! Uma mentirinha aqui pode se tornar algo prejudicial para o mentiroso, que se torna compulsivo em mentir, e para as pessoas que estão ao seu redor, que passam a não mais acreditar e confiar mais nessa pessoa, tornando os relacionamentos ruins entre eles, baseado na desconfiança e no descredito.



Referencia: Ballone GJ - Sobre a Mentira - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, 2006


quarta-feira, 30 de março de 2011

Você sabe o que é NOMOFOBIA?

Há pessoas que não conseguem ficar sem o celular nem por um instante. Essas pessoas entram num estado de profunda ansiedade e angústia quando se veem sem o aparelho, quando ficam sem créditos ou com a bateria no fim. A necessidade de estar conectado ultrapassa todos os limites. O nome vem do inglês no + mobile + fobia, ou seja, "fobia de permanecer sem conexão móvel", que inclui internet e celular. Essas pessoas não saem de casa sem o celular, mantêm o telefone ligado 24 horas por dia e sentem ansiedade quando o esquecem em casa. Elas ainda se sentem rejeitadas quando ninguém lhes telefona ou quando percebem que os amigos recebem mais ligações do que elas. Quando ficam sem bateria ou fora da área de cobertura, se sentem ansiosas, angustiadas e inseguras.
Pessoas que sofrem de nomofobia deixam o celular ligado 24 horas por dia, sentem-se rejeitadas quando ninguém lhes telefona e enfrentam síndrome de abstinência quando estão sem o aparelho. O problema pode estar ligado a outros transtornos, como ansiedade e depressão.

Nomofobia no Brasil
A empresa francesa de pesquisa Ipsos publicou um estudo sobre o impacto do celular na vida cotidiana e mostrou como esse aparelho mudou a vida dos usuários. Os resultados revelaram que 18% dos brasileiros admitiram ter dependência dos seus aparelhos. "Com esta nova liberdade, novas regras de coexistência têm influenciado e ditado pela comunicação e interação entre os indivíduos. Esta mobilidade leva a uma sensação de liberdade e a uma percepção de que podemos ter o mundo em nossas mãos. Essa sensação pode gerar um comportamento ambíguo de poder e medo", diz a pesquisadora Anna Lúcia Spear King.


Para a psicóloga Sylvia van Enck, do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, da USP, a nomofobia é um transtorno do controle dos impulsos com um forte componente de ansiedade generalizada. Alguém que apresenta algum transtorno no controle dos impulsos tem dificuldade para resistir à tentação de executar um ato que possa vir a ser prejudicial para si ou para os outros e obtém alívio e diminuição da tensão emocional e física quando a ação é executada. "O transtorno de ansiedade faz parte da caracterização dos transtornos no controle dos impulsos e, neste caso, a pessoa é acometida por uma apreensão negativa em relação aos eventos futuros, provocando sensações de inquietação psíquica e sintomas físicos desagradáveis", diz a psicóloga. Não é fácil se "desplugar" do celular, uma vez que, na sociedade tecnológica, o aparelho é sinônimo de status e inclusão social. "Podemos entender que o uso do aparelho celular, mesmo que não excessivo, especialmente em relação à população jovem, esteja relacionado aos aspectos de inclusão social e conectividade entre os amigos. Por outro lado, com o avanço dos recursos tecnológicos, adquirir um aparelho cada vez mais sofisticado confere status econômico e social, o que pode estar relacionado à busca de reafirmação da identidade psicológica dos adolescentes nesta fase da vida", analisa Sylvia. O mercado oferece uma infinidade de aparelhos, e é difícil resistir à tentação de adquirir o mais novo modelo. Devemos ficar aletas também a uma outra consequência que essa dependência do celular vem causando: "Há um risco no desenvolvimento da insegurança pessoal que pode ser também o reflexo da insegurança dos pais, que precisam estar sempre tendo notícias do paradeiro dos filhos. Outro aspecto a ser considerado é a diminuição na resistência à frustração diante da espera de um contato ou do silêncio do outro, gerando ansiedade, angústia... que se não controlados, podem desencadear comportamentos agressivos, reflexos da intolerância gerada pela nomofobia", diz Sylvia.


A nomofobia é um transtorno do controle dos impulsos com um forte componente de ansiedade generalizada

Anna Lúcia lembra que nomofóbicos são pessoas que apresentam um perfil ansioso, dependente, inseguro e com uma predisposição característica dos transtornos de ansiedade que podem ser, por exemplo: transtorno de pânico, fobia social, fobia específica, transtorno de estresse pós-traumático; e costumam ficar dependentes da internet por medo de estabelecerem relacionamentos sociais ou afetivos pessoalmente. "Com o celular em mãos, essas pessoas têm a sensação de estarem acompanhadas e se sentem mais independentes.

Muitas pessoas nomofóbicas, porém, não aceitam que são portadoras desse tipo de fobia e atribuem a sua angústia a várias outras causas. Colocam a culpa no trabalho ou na necessidade de se comunicar com a família ou com amigos, no caso de alguma emergência.


Uso excessivo do celular


Os critérios que orientam a identificação do uso excessivo de celular são: manter o celular sempre à mão, 24 horas por dia - mesmo quando dormindo -, para não perder qualquer possibilidade de contato; Abandonar as atividades para atender a qualquer chamada do celular (muitas vezes interferindo em situações de trabalho, estudo, reuniões sociais e familiares); Manter invariavelmente a bateria do celular carregada; Quando esquecer o celular em algum lugar, voltar para buscá-lo, pois, do contrário, este fato pode gerar extrema ansiedade (como se faltasse algo essencial). Em casos mais graves, as pessoas podem apresentar alterações de humor, da respiração, taquicardia, ansiedade.



Fonte: Revista Psique

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ecce Homo


Como entender a masculinidade moderna, sem os velhos moldes de força e firmeza, se até mesmo os próprios homens estão perdidos, sem saber se ainda abrem ou não o famoso pote de azeitonas?

Depois da revolução feminina, em que a mulher deixou de ser a bonequinha da casa, dividindo responsabilidades com seus parceiros e conquistando espaços cada vez maiores no mercado de trabalho, antes dominante pelos homens, agora é a vez deles! Muito se tem ouvido falar sobre os "metrossexuais", mas afinal de contas, quem são esses novos homens? Achamos essa matéria sobre o assunto da revista Psique bem legal.

Por Jorge Forbes

Não se fazem mais homens como antigamente”, reclama a velha senhora na soleira de sua porta, ao ver chegar o amigo da sua neta, encostando o carro. Arrumado demais, combinado demais, manso demais, indeciso demais, enfim – ela não quer confessar, mas caraminhola baixinho – o moço lhe parece feminino demais.
A velha senhora tem alguma razão em observar que os homens, hoje, não são feitos da mesma maneira da qual ela estava habituada. Intuitivamente, ela nota – mesmo que não aceite – que a identidade humana é maleável, que muda conforme o tempo, abraçando o relevo da paisagem de sua época.
Estamos assistindo a uma mudança de um período no qual o laço social que era vertical, gerando estruturas piramidais – o que provocava o estabelecimento de relações hierárquicas e padronizadas – passa a uma nova situação, na qual as relações humanas são horizontais e múltiplas, em tudo, muito diferentes dos modelos estáveis anteriores. No que toca à identidade masculina, ela passou de uma inflexibilidade poderosa, coerente com a verticalidade disciplinar do mundo de ontem, para uma participação interativa flexível, exigência do tempo presente. Traduzindo em miúdos: um homem era visto, caricaturado e admirado como alguém forte e firme em suas decisões – sem frescuras, sem dúvidas, sem titubeios – inflexível em sua vontade pétrea, como se elogiava barrocamente. Agora, nesses novos tempos, mais importante que dar ordens é convencer e seduzir; melhor que ser sempre igual, é mostrar-se criativo, respondendo diferentemente, conforme o aspecto de cada situação. Para as novas exigências, a carapaça do típico macho envelheceu, se despregou do seu corpo, caiu, e ele se vê tão perdido quanto cobra trocando de pele, ou siri que ficou nu e tem medo de ser catado. Reage atordoado procurando novas formas de ser e aparecer que lhe devolvam a segurança perdida; hipertrofia os traços machistas em academias fabricantes de abdomens tanquinhos, ao mesmo tempo em que vai perdendo a vergonha de confessar seu interesse no melhor creme, na cirurgia plástica, na mais atraente e chocante combinação de roupa.

PARA AS NOVAS EXIGÊNCIAS, A CARAPAÇA
DO TÍPICO MACHO ENVELHECEU,
SE DESPREGOU DO SEU CORPO, CAIU,
E ELE SE VÊ TÃO PERDIDO QUANTO
COBRA TROCANDO DE PELE


Pobres homens, a pós-modernidade não lhes é em nada tranquila. Enquanto as mulheres nadam de braçadas, pois o detalhe, a singularidade, o inusitado – características próprias à horizontalidade despadronizada – são a sua praia, os homens sofrem, se angustiam, por se verem sem a bússola do dever bem definido que lhes orientava tão corretamente e, tanto quanto aquela velha senhora, também desconfiam de sua própria sexualidade. Buscam os mais diversos consolos, alguns bem engraçados e paradoxais, como os grupos do Bolinha: confrarias das mais diversas, mais comuns as de vinho e as de comida, que, sob o manto disfarçador do refinamento do gosto, escondem a mais básica vontade de perguntarem uns para os outros como cada qual está se virando diante dessa verdadeira revolução. Isso, quando não contratam treinamentos supostamente disciplinadores e eficientes de tropas de elite, que tentam loucamente instalar em suas empresas, onde gostam de se travestir em generais incontestados, fazendo que os funcionários incomodados “peçam para sair”, tal como aprenderam naquele filme de sucesso.
Pouco a pouco, ficará claro para a maioria que a masculinidade não se baseia em nenhum grupo de iguais – sejam eles confrarias ou exércitos –, mas, tudo ao contrário, na possibilidade de suportar a expectativa da diferença, aquela representada pelo enigma de uma mulher frente a um homem. De nada vai lhe adiantar querer calá-la – ou calá-lo, o enigma – com alguma resposta pronta do gênero de bolsas ou perfumes de marcas supostamente exclusivas – mas em algo tão singelo, quão difícil: sabendo fazê-la rir, sonhar, se surpreender. Ecce Homo.





Jorge Forbes é psicanalista e médico psiquiatra. É Analista Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (A.M.E.), Preside o IPLA – Instituto da Psicanálise Lacaniana e dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano da USP.
www.jorgeforbes.com.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Como encontrar o amor?

Já que falamos sobre amor no último post, resolvi postar essa matéria escrita pela psicologa Juliana Amaral que nos questiona se sabemos o que é uma pessoa interessante para nós?

Vejo muitos que buscam um amor, uma relação, alguém para amar e compartilhar, e percebo muitas dessas mesmas pessoas caindo em situações repetidas de desencanto, de frustração, de desânimo.

Acontece que a escolha de um parceiro envolve muitos aspectos subjetivos e objetivos. É preciso que se conheça bem, que aprenda com as experiências, que saiba o que lhe faz bem e o que faz mal. Claro que quanto mais experiências você viver, mais a simples idéia de que se aprende vivendo se aplica e ajuda. É fundamental aprender a fazer uso do que passou, pode ser muito útil em uma próxima escolha.

Alguns são exigente demais, criam filtros, critérios e peneiras que mais servem como barreiras contra relacionamentos e distanciam pessoas que poderiam ser muito interessantes. São tão exigentes em suas escolhas que se perdem no meio do caminho, se perdem em meio a tantos obstáculos impostos e terminam com a sensação que não existe ninguém legal com quem se relacionar. Acreditam que esse mecanismo os levará ao amor ideal quando na verdade o que vimos acontecer é o inverso, pessoas queixosas, insatisfeitas e sempre infelizes com aqueles que surgem ao redor.

Existem os traços inconscientes das escolhas e é preciso ter alguma compreensão sobre eles. Nem sempre é fácil percebê-los, mas nas situações onde se repetem as mesmas frustrações, os mesmos dramas, os mesmos problemas de relacionamento, podemos dizer que aí nesse ponto algo inconsciente está atuando, seja um modelo de relação que tenha vivido em sua família, seja um nó da sua personalidade, seja um mesmo perfil de namorado. Fato é que algo essa repetição está te mostrando algo, pare e preste atenção.

Para encontrar uma pessoa interessante, para amar alguém é preciso que haja uma percepção ampla sobre si mesmo e suas escolhas, os critérios são sim importantes, mas não podem fechar portas, é necessário o uso do bom senso, da intuição, do livre canal para o afeto encontrar espaço e se manifestar.

Parece existir atualmente uma proteção exagerada contra as relações, um medo de se tornar frágil, sem controle, vulnerável ao amor. Me parece um marco dessa geração, das pessoas que buscam, mas criam elas mesmas inúmeros impedimentos, daqueles que entram em sites de relacionamentos, frequentam festas e lugares onde existem solteiros e quando se deparam com uma chance dizem o quanto que temem sofrer ou se defendem dizendo que desejam apenas aproveitar a solteirice. Aquele que muito teme sofrer, que muito teme se relacionar também teme amar, já que o amor é um risco, uma entrega sem garantias, sendo entretanto um encontro fundamental para o ser humano.

O encontro com o "interessante" é acima de tudo o encontro com a sua capacidade em se permitir ser feliz. Aquele que despertou algo em você se tornará verdadeiramente interessante no momento em que as portas para um relação estiverem abertas. O interessante pode estar na surpresa, no inesperado, no pouco programado e pouco planejado, está na forma saudável de enxergar o mundo e na forma saudável de nele se viver.

Gostaram da matéria? Deixe seu comentário...

abraços,
Ada e Kellen

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

VAMOS FALAR DE AMOR



Encontros e desencontros sempre fizeram parte de nossa vida, assim como o amor, do qual ficamos à procura na esperança de que a qualquer momento encontraremos o ser amado, o complemento que falta para dar sentido a nossa vida. Um encontro perfeito calcado na idealização de uma garantia de felicidade eterna e numa completude jamais imaginada.

Freud, em um trecho citado no Mal estar da civilização, mostra-nos um pouco dessa completude que tanto buscamos no ser amado quando diz: “Quando um relacionamento amoroso se encontra em auge, não resta lugar para qualquer outro interesse pelo ambiente, um casal de amantes se basta a si mesmo(...)

Mas então, o que seria o amor?

O amor consegue ser simples quando o sentimos e complexo ao tentarmos descrevê-lo. Assim como a meta da pulsão é satisfazer-se, a meta do amor é encontrar-se. E nós, divididos como estamos, caminhamos infatigavelmente a procura da nossa outra metade.

O sujeito apaixonado percebe o outro como um Tudo e o ser amado passa a ser a causa animadora dos nossos próprios desejos. Na ilusão de um ser total completo, no qual nada falta, que lhe pode dar tudo e negar nada.

Nas relações amorosas, cria-se uma dependência do outro, um momento em que há um estado de fusão. A perda desse amor pode levar a uma desilusão, que vai demandar defesas narcísicas e marcar a personalidade. Marcará também a busca de um amor primitivo, com necessidade de fusão, talvez na tentativa de continuar o processo que foi interrompido.

A partir daí, podemos ver uma suposta causa de inúmeros sofrimentos de amor, onde o ser apaixonado tenta alcançar no outro um gozo impossível. O amor envolve a dependência e a possibilidade da perda. Tanto nos apanha em seus braços fortes e nos carrega rumo ao encantamento, como nos permite o contato com intensos sofrimentos.

Quando estamos em “busca do amor”, estamos em risco. Essa procura nos convida a fazer uma aposta onde nos colocamos em jogo, no qual estaremos fadados a perder ou ganhar. Diante desse convite que a vida nos oferece, será que estamos preparados para perder? A resposta, porém é clara, não estamos preparados para o fracasso!

A perda de um amor ou dificuldades em tolerar o sofrimento decorrente das frustrações das expectativas em um relacionamento amoroso, trás a nós um esvaziamento. Assim, buscamos reaver o que perdemos ou compensar aquilo que nos falta.

A desejada captura da ‘essência do outro’ na verdade refere-se à uma busca de nós mesmos. Sócrates no texto ‘Banquete’ leva seus ouvintes à conclusão de que o amor não pode ser belo, pois ama-se sempre aquilo que lhe falta e o amor, que ao belo sempre ama, (quem ama o feio, bonito lhe parece) só pode então ser destituído de beleza. Neste sentido o amor mostra uma de suas facetas mais narcísicas: a pessoa dirige seu amor ao que ‘ela própria gostaria de ser’, e porque não dizer como Sócrates: “ao que ela própria gostaria de possuir”.

Mas acima de tudo o que precisamos entender é que amar é também arriscar a viver em um mundo de possibilidades e que não podemos viver no lugar do outro algo que lhe é próprio, que não podemos apartar o sofrimento de quem quer que seja, no máximo, acompanhá-lo.

E diante de tantos desencontros, por que será que continuamos nossa incessante busca por nossa “cara metade”? Deixe sua opinião.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Síndrome do fim de férias...


E então pessoal, passado a loucura das festas de final de ano nada melhor que curtir as boas e merecidas férias! Um tempo pra relaxar e esquecer um pouco os problemas do nosso dia a dia... Mas que também já está chegando ao fim!

Tudo bem que todo mundo sabe que o ano só começa de verdade depois do carnaval, mas já esta na hora de voltarmos à velha rotina e nos readaptarmos novamente.

Em tese, as férias são um período para recarregar as energias e voltar ainda mais disposto para o trabalho - o descanso serviria até para melhorar a produção. Mas para 23% dos trabalhadores entrevistados em uma pesquisa do ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), a depressão pós-férias seria recorrente na volta às atividades do dia a dia.

Quem mais sofre com a volta às atividades é quem trabalha sem motivação. A maior vulnerabilidade está entre os profissionais das áreas financeira, de saúde, informática, ou que estejam trabalhando fora da sua área de formação. Do total de afetados, 93% alegam insatisfação profissional; 86% não vêem possibilidade de promoção ou aperfeiçoamento profissional; 71% acreditam que o ambiente é hostil ou não-confiável e para 49% há conflitos interpessoais no trabalho.

Os profissionais que sofrem de depressão pós-férias têm sintomas que podem ser divididos em físico, emocional e comportamental. Entre os sintomas físicos, 87% sentem dores musculares e de cabeça, 83% reclamam de cansaço, 42% dizem sofrer de insônia e 28% apontam problemas gastrointestinais. Entre os que sofrem de sintomas emocionais, o sentimento de angústia foi apontado por 89%, ansiedade por 83%, culpa por 78% e raiva por 61%.

De acordo com Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR, "tirar férias é fundamental para recompor as energias. Mas para manter os benefícios ganhos nessa fase é interessante que os profissionais dividam as férias em períodos mais curtos e mais frequentes, ao longo do ano". A especialista afirma que essa estratégia minimizaria o impacto do retorno à rotina.

Até mesmo por período mais curtos isso pode acontecer, certa vez escutei falar de uma tal “síndrome do domingo a noite”, que acontece com o fim do final de semana, ao chegar a noite de domingo a pessoa já se liga no trabalho e entra em desespero só de pensar no que a espera pela segunda de manhã. É uma tortura pensar que no outro dia terá que começar tudo de novo, e muitas vezes isso acontece realmente porque as coisas no trabalho não estão lá aquela coisa! Ou porque o trabalho que realiza não lhe dá prazer, a pessoa está infeliz nas suas atividades.

E você? Tem a síndrome do domingo a noite? Ou é uma das poucas pessoas que voltam de férias abraçando todos do escritório?

* O estudo foi realizado com 540 profissionais das cidades de Porto Alegre e São Paulo, entre 25 a 60 anos de idade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO


É Natal! Época em que as lojas ficam cheias, shoppings abarrotados e principalmente as lojas de brinquedos, onde vemos muitas crianças à escolha do tão esperado presente de natal!
As lojas capricham na decoração e exposição de uma diversidade enorme de brinquedos, me deparei até com uma loja exclusiva para venda de roupinhas de bonecas, um verdadeiro luxo, eu que já sou crescida me senti atraída com tanta novidade e sofisticação.
Diante de tantos atrativos e facilidades decorrentes do capitalismo, a indústria do consumo criou uma geração fanática pela compra exagerada, banindo o processo de amadurecimento e fazendo com que as crianças deixem para trás aspectos importantes da infância para se dedicarem a um hábito que antes era próprio dos adultos.
Para o mercado publicitário vale tudo, desde que seja focado na criança, as estratégias para seduzir são inúmeras, vale personagens infantis, jogadores de futebol, animadores, etc. As propagandas vão desde anúncios de brinquedos a eletrônicos, tudo isso ligado a um mercado milionário e influenciador deixando crianças e adolescentes reféns da televisão e de qualquer tipo de apelo de venda num desejo incontrolável de obter todas essas novidades, mesmo que ela não precise ou possa adquirí-la.
A transmissão da mensagem publicitária são elaboradas mediante imagens e sons sendo um dos fatores que fazem com que o público infantil retenha, pelo menos, as informações principais do anúncio. Mesmo as crianças muito pequenas, já conseguem gravar as “musiquinhas” que são usadas nesses comerciais.
O método se torna ainda mais eficaz diante da simpatia das crianças pela televisão, visto que, segundo a revista Psique (2010), o ibope calculou em 2005, que cada brasileiro permaneceu em média 5 horas 2 minutos e 25 segundos por dia diante da telinha.
A opção de empresas de vários ramos pelo público infantil não é por acaso, além de poderem ser consumidores fiéis por anos, elas também são excelentes promotoras de vendas, pois diante de tantas variedades, eles não sabem como lidar com o apelo da publicidade e acabam influenciando a família inteira nas escolhas de certos produtos na hora da compra.
A necessidade de consumo muitas vezes é induzida pelos próprios pais que por um sentimento de culpa por serem pessoas ocupadas demais em seus trabalhos e atividades diárias, acabam não tendo o tempo que gostariam para ficar com os filhos e com isso cedem aos caprichos dos pimpolhos. Outros por terem sido pobres na infância e desejam que não falte para os filhos o que não tiveram, o que faz com que essas crianças não aprendam a superar frustrações para que se tornem adultos maduros.
O mundo contemporâneo que se expressa através do consumo irresponsável é cruel, cabe a nós termos consciência do que está sendo recebido através da publicidade e sabermos lidar de forma saudável com tantas ofertas. Os pais devem ficar atentos aos seus filhos, ter consciência de que o consumo excessivo padroniza o sujeito e retira dele sua individualidade, deixando marcas no desenvolvimento da personalidade dessas crianças e que pode se agravar na idade adulta, portanto é preciso ter clareza do que é oferecido e quando deve ser comprado.
Fiquemos atentos, não vamos nos deixar seduzir pelas épocas festivas usadas para aumentar ainda mais o consumo, mas que possamos realçar os valores de amizade e fraternidade que deveriam ser os principais motivos dos encontros familiares nessa época do ano.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Querido John: Entendendo o Autismo e Asperger


“Querido John”, recente sucesso nos cinemas inspirado no livro de Nicholas Sparks nos chamou atenção para além da bela trilha sonora e da emocionante história romântica, por abordar um tema incomum nos filmes: a síndrome autista e de aspeger, síndromes muito parecidas, principalmente para quem apenas viu o filme, o que no livro fica mais claro, então resolvemos falar um pouquinho sobre esse tema.
Já de cara temos uma certa estranheza ao ver o comportamento dos personagens Allan e do pai de John, principalmente no que tange os relacionamentos sociais. O pai de John é metódico, tem horários pra tudo, seus dias são sempre iguais e tem um apreço muito grande por sua coleção de moedas. Já Allan é uma criança que não consegue estabelecer relações de amizades com mais ninguém a não ser com Tim e Savannah.
Esses personagens nos intrigam a querer saber, o que será que eles tem? Por que apresentam comportamentos diferenciados? É o que queremos discutir nesse texto.
Os sintomas apresentados pelos personagens são característicos de duas síndromes especificas: a síndrome autista e a síndrome de aspeger.
O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade. Caracteriza-se por perda na qualidade da comunicação, na interação social e no uso da imaginação, pode-se observar também a limitação das relações humanas e com o mundo externo. Allan, o personagem caracterizado como autista tem seu relacionamento bem restrito e sua fala é pobre, não interage com o mundo à sua volta.
De acordo com a CID-10, o autismo infantil se apresenta por um transtorno global do desenvolvimento caracterizado por: a) um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes dos três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno é acompanhado, por exemplo, de fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade).
Segundo a ASA (Autism Society of American), indivíduos com autismo usualmente exibem algumas das características listadas a seguir:
1. Dificuldade de relacionamento com outras crianças;
2. Pouco ou nenhum contato visual
3. Preferência pela solidão; modos arredios
4. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino
5. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina
6. Não tem real medo do perigo
7. Recusa colo ou afagos
8. Age como se estivesse surdo
9. Dificuldade em se expressar - usa gesticular e apontar no lugar de palavras
10. Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente

É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança e podem variar de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma.
Muitas vezes, o autismo é confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento. Isso se deve pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos; seu processo de reconhecimento é dificultado, o que posterga seu diagnóstico que é feito clinicamente, mas pode ser necessário a realização de exames auditivos com a finalidade de um diagnóstico diferencial.
Já a síndrome de asperger, descrita pela primeira vez em 1944 por Hans Asperger, trata-se de uma perturbação da personalidade, em contraste com o autismo infantil, onde os interesses são mais provavelmente por objetos, na síndrome de aspeger os interesses são mais por áreas intelectuais específicas.
Muitas vezes, estas crianças com asperger mostram em idade pré escolar, um interesse obsessivo por uma área específica como matemática, por exemplo, querendo aprender tudo que for possível sobre o tema e tendendo a insistir nisso em conversas e jogos. Esses interesses podem persistir até a fase adulta. No filme, o pai de John tinha obsessão por moedas que eram tratadas como seu maior bem e apenas através desse interesse que conseguia estabelecer alguns laços, como aconteceu com Savannah que conseguiu se aproximar dele se interessando também pelo tema.
Apesar de serem síndromes distintas, em ambos os casos o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, baseado no comportamento, anamnese e observação clínica do indivíduo.
O tratamento consiste essencialmente em processos psicoterapêuticos individualizados. Ele requer intervenção em diferentes níveis, envolvendo necessariamente apoio psicológico e educacional, que devem ser prestados em colaboração estreita com diferentes profissionais (pediatras, psiquiatras, psicólogos, professores regulares e especializados). Este apoio deve incidir nas dificuldades específicas da criança, no entanto, ele deve, de uma maneira geral, incluir as áreas das competências sociais, linguagem, interesses e rotinas, motricidade, competências cognitivas e sensibilidade sensorial.
John a princípio não aceitava que seu pai tinha necessidades especiais que poderiam ser amenizadas com um tratamento adequado, o que o levou a não compreendê-lo durante muitos anos. Apenas quando tomou consciência que seus sintomas eram característicos de uma doença e não por querer passou a aceitá-lo, melhorando o relacionamento entre eles. Diferente de Allan, que era compreendido e tinha tratamentos adequados as suas necessidades, o que lhe proporcionou uma vida saudável e feliz desde o começo. Porém, o mais importante para que aja qualquer tratamento é a aceitação do indivíduo e da família de que existe algo a ser tratado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PALMADINHA PEDAGÓGICA


O projeto de lei que proíbe qualquer tipo de castigo físico em crianças e adolescentes tem gerado uma polêmica entre pais, educadores e especialistas do nosso País. Bater educa ou não?
Muitos se vêem divididos em torno desta questão. Alguns acham a lei abusiva e outros tendem apoiar essa medida.
O projeto, que não é recente, foi apresentado pela primeira vez em 2003 pela deputada Maria do Rosário (PT/RS), no documento oficial consta que: sob a lei n. 2.654, “Dispõe sobre a alteração da lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e da lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2001, o Novo Código Civil, estabelecendo o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos, e dá outras providências.” FONTE: Psique, 2010 n 57.
Entendemos que diante de tantas barbaridades que estamos vivenciando nos últimos tempos como o caso da menina Isabela Nardoni e do recém nascido encontrado dentro de uma sacola plástica na lagoa da Pampulha, o Estado viu se na obrigação de intervir de alguma forma para proteger nossas crianças daqueles que seriam os principais responsáveis por garantir a segurança e o bem estar dos próprios filhos.
Porém observamos, que, ao aceitar uma imposição como esta vinda das autoridades que não convivem no dia-a-dia de cada família, estamos deixando de exercer nossa autoridade como pais e delegando esse papel de suma importância para o desenvolvimento do bem estar psíquico e mental de cada ser humano para o Estado.
Compreendemos que educar os filhos não tem sido uma tarefa fácil para muitas famílias e esse projeto de lei veio para tornar o assunto ainda mais polêmico.
E você o que acha? A palmada é uma forma de educar a criança ou a conversa ainda é o melhor remédio? O Estado tem o direito de adentrar a subjetividade das famílias tentando cuidar de forma pública o íntimo de cada um? Dê sua opinião.